Antiofídico




Antiofídico é um trabalho de mídia contemporânea usando a scanner art aliado com sobreposição de xerox, com o auxilio do computador.
A mídia usada neste trabalho foi escolhida após a oficina multimeios com Paulo Bruscky. Usei algumas imagens produzidas por mim na oficina e continuei a pesquisa em Scanner Art.
A poética desenvolvida neste trabalho foi inspirada em Versos Íntimos de Augusto dos Anjos*, usando a comparação da hipocrisia humana com cobras, seu veneno e cura. Os comprimidos representam o antiofídico, antídoto usado em humanos quando são picados por cobras, feito com seu próprio veneno. Simultâneamente a tentativa da imagem é transmitir ao espectador a impressão de um auto-beijo, assim como na mitologia grega Narciso apaixona-se por si próprio, o homem contemporâneo tem se mostrado cada vez mais egoísta e auto-suficiente.
Entretanto, a faixa de isolamento usada para proibir a entrada das pessoas nos locais ou indicar proibição, tampa a boca da pessoa na foto representando a máscara que o individuo sustenta diariamente para manter seu status social.
Enfim, trata-se de um paradoxo no qual mostra o ser humano em sua dualidade, como na idade média quando surgiu o conceito, de lado bom e ruim. A luta pela sobrevivência e ao mesmo tempo pela proteção. Enfim, estas duas partes não podem viver uma sem a outra.

LEANDRO GARCIA



*VERSOS ÍNTIMOS

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos


Antiofídico (texto por Mariana Zulianeli)
Hipocrisia, quero uma pra viver!

Vou engolir meus remédios e escarrar nesta boca que me beija. Dos Anjos, me permita, do céu agora não falo. Aqui é muita hipocrisia, e eu também estou aqui. Sou carbono e hidrogênio também. Nem sempre somos flores, infelizmente, mas ainda bem que todos somos de alguma maneira. Que viver não seja um veneno, nem que eu precise me dopar.
- " Preciso de um lar. "
Mariana Zulianeli

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